vida_russa
Hoje é dia de teste.

TESTE

Começo de férias.

Começo de férias.

Resenha: Foo Fighters - Wasting Light

A expectativa era grande. Depois das decepções parciais com o lançamento dos novos álbuns do Radiohead, PJ Harvey e Strokes, o Foo Fighters provocava a ansiedade histérica dos seus fãs ao anunciar que seu próximo álbum seria o mais pesado de toda carreira. Com participações especiais do produtor e músico Butch Vig, e de seus antigos parceiros de banda Krist Novoselic e Pat Smear, o novo álbum reunia todos que um dia já foram parte do Nirvana, elevando as expectativas a um nível inimaginável. A proposta era um desafio a credibilidade do Foo Fighters e de seu principal responsável e ídolo, Dave Grohl.

O resultado é ótimo. A banda explora, inova, mantém sua fórmula clássica em alguns momentos e destaca diversas referências sonoras marcantes na vida de Grohl. Não decepciona em nenhuma canção. Salva o rock em um momento que a despretensão de grupos como o Radiohead, Strokes e artistas como PJ Harvey fracassam na tentativa de se inovar ou consolidar-se. No fim o rock se justifica pelo seu peso, sua velocidade, sua emoção em cada verso.

Bridge Burning – Não é uma música fácil. Sua bateria acelerada do início ao fim perde destaque apenas para as guitarras estridentes, quase a um nível insuportável. Para incomodar o ouvinte acostumado com uma banda de rock previsível, inofensiva e simpática conforme os últimos álbuns da banda.

Rope – Adoro a forma como guitarras são intercaladas no início de “Rope”. Juntas elas definem o peso de uma canção mais acessível. A linha vocal se difere ao se aproximar do Queens Of The Stone Age. Se notar a estrutura básica da canção irá se surpreender ao notar que “Rope” é uma variação mais lenta e marcada do riff clássico de “Smells Like Teen Spirit”, hino do Nirvana. O final apocalíptico intercala guitarras e bateria de forma espetacular. Ótima canção.

Dear Rosemary – O dedilhado ganha destaque e peso. A batida pop datada da década de 60 se destaca mesmo sendo enterrada por guitarra em volume máximo. Sua estrutura poderia ser mais sutil, mas revelaria uma fórmula básica já utilizada em canções como “That Thing You Do!” (The Wonders) ou “Last Kiss” (Pearl Jam) com variações diferentes de tempo e distorção de guitarras. Mas não se engane, trata-se de uma canção pop. Bem feita.

White Limo – Sensacional. Mas essa canção não deveria estar no próximo álbum do Queens Of The Stone Age? Como referência basta escutar “Avon” do Queens e identificar as bases exploradas sem pudor por Dave Grohl na produção de uma das melhores e mais agressivas músicas do novo álbum.

Arlandria – Não foi preciso escutar mais do que 1 minuto para saber que essa é a minha canção favorita do novo trabalho. O equilibro do peso e a distorção das guitarras não agride o ouvinte. A variação de peso com momentos de calmaria marcada por sussurros vocais é exemplar. A bateria mantém uma estrutura coesa, quase pop, porém acelerada. O solo é limpo, ganha destaque. Tudo funciona.

These Days – Um single muito provável devido sua agradável estrutura. É a antiga e conhecida fórmula aplicada pelo  Foo Fighters em 90% de todos os seus singles já lançados. Não desagrada, não inova, mas também não decepciona aos fiéis fãs. Mais do mesmo.

Back & Forth – Não acrescenta nada ao novo álbum. Seria digna se fosse lançada como lado-b em qualquer novo single da banda. Dentro das diversas estruturas exploradas se aproxima de “These Days” por ser facilmente identificada como fruto da fórmula Foo Fighters de produção. Para agradar os fãs. Para ampliar a oferta do álbum. Descartável.

A Matter Of Time – Referencial. Uma canção dentro da estrutura clássica da banda que se destaca por acrescentar elementos harmônicos pontuados, como dedilhados e efeitos de amplitude, sem resultar em desaceleração do tempo contínuo de sua base forte. Boa experimentação.

Miss The Misery – Experimental. Distorções sem direção, espontaneidade na exploração de efeitos e expectativa voltada apenas para a construção de uma canção rock de garagem, superando as limitações com criatividade harmônica.

I Should Have Known – Por conta das participações especiais, contemplando ¾ dos membros que já formaram o Nirvana, “I Should Have Known” poderia ser considerado a sonoridade do Nirvana sem o Kurt Cobain. Talvez por conta dessa associação óbvia Dave Grohl e seus amigos se esforçaram para não se aproximar em nada já produzido pelo antigo grupo. Provavelmente a segunda melhor canção do álbum. Lá é possível identificar o peso da bateria de Grohl, o baixo marcante de  Novoselic, a produção agressiva e crua de Vig e as guitarras hipnóticas de Smear. Momento histórico.

Walk – Uma canção de despedida. Acelerada e óbvia. Válida pelo discurso direto aos fãs da banda. Discute diretamente a continuidade do trabalho do grupo, a exploração de novas sonoridades, a evolução imposta a si mesmo como forma de provar relevância. O Foo Fighters deve continuar, mesmo que para isso seja necessário aprender a andar de novo.


Resenha: Strokes - Angles.

Parece uma competição, mas a capa do novo álbum do Strokes é tão feia quanto a capa do novo EP do Radiohead. Ponto negativo.

O Strokes pecou por explorar diversas áreas diferentes. Perdeu unidade e personalidade. Procurou inovar e errou ridicularizando a si mesmo.

Machu Picchu - Abre o álbum apostando em uma combinação de percussão que não casa com as guitarras. O Vampire Weekend sabe, o Strokes não.

Under Cover Of Darkness - É boa, tenta se aproximar de Room On Fire mas frente as antigas canções ela se revela uma obra fraca, previsível.

Two Kinds Of Happiness - Começa triste como um comercial da década de 80 mas ao ganhar peso surpreende. Guitarras rápidas e agudas. Fino.

You’re So Right - Poderia facilmente estar presente no novo EP do Radiohead. Não é Strokes. Inovar pode ser um desastre!

Taken For A Fool - Simplista, animada, algo que já ouvi antes. É pecado afirmar que essa canção poderia ser do Cansei de Ser Sexy? Mediana.

Games - Inexplicável. Candidata a pior canção do álbum. Tudo o que não funcionou na década de 80 editado em quase 4 minutos. Péssima.

Call Me Back - O ritmo aproxima o Strokes do projeto ensolarado do seu baterista. É bonita, mas está fora do padrão garagem sujo da banda.

Gratisfaction - Boa canção. Peca por se repetir sem diferenciais, tornando-a um círculo vicioso e repetitivo. Poderia ter peso. Lembra o Who.

Metabolism - Não funciona. Mesmo para um álbum tão inconstante essa canção se resume em uma arrogante irritação aguda descartável.

Life Is Simple In The Moonlight - Poderia estar presente em um álbum do Duran Duran. Não é ruim, mas escapa da estética Strokes. Estranha.

Resenha: Radiohead - The King Of Limbs.

The King Of Limbs tem a pior entre todas as capas do Radiohead. Ponto negativo.

Bloom - Abre o álbum com um experimento hipnótico, repetitivo e não orgânico. Poderia ser um b-side do álbum Kid A.

Morning Mr Magpie - É acelerada. Está suspensa no ar. Peca pela falta de peso, guitarras ácidas mas agrada. É símbolo do novo estilo da banda.

Little By Little - Apresenta diferentes instrumentações mas não acontece. Os elementos não se encontram em uma unidade. Caos experimental.

Feral - É apenas um problema de ego do Radiohead. Não se trata de música, mas de utilização de camadas eletrônicas sem sentido. Péssima.

Lotus Flower - 1º single. Talvez único. A construção eletrônica é elaborada e bem balanceada. Tudo faz sentido. Existe ritmo. Existe clima.

Codex  - Procura ser próxima de Pyramid Song do álbum Amnesiac, mas não se compara. É fraca, descuidada. Poderia crescer e ganhar importância.

Give Up The Ghost - Explora um registro de voz diferenciado. Emotiva, espontânea, registra propositalmente erros de execução. Bela.

Separator - Aproxima-se de Lotus Flower e assim resume-se a um reflexo pálido que peca pela falta de peso mas atrai pela profundidade do eco.

Impressão final? The King Of Limbs é um EP que registra uma transição do Radiohead por meio dos seus b-sides. Experimental fraco esquecível.

Hoje eu acordei Scott Weiland.

Hoje eu acordei Scott Weiland.

The Smashing Pumpkins Concert at Playcenter, São Paulo, Brazil.

November 20, 2010.

 

The Fellowship

Lonely is the Name

Today

Astral Planes

Ava Adore

A Song for a Son

Bullet With Butterfly Wings

Tarantula

United States

Spangled

Drown

Shame

Cherub Rock

Zero

Stand Inside Your Love

Tonight, Tonight

————

Heavy Metal Machine

E finalmente chegamos ao último show do Festival Planeta Terra, com o Sr. Billy Corgan e o projeto que ele insiste em chamar de Smashing Pumpkins. Se você friamente avaliar as novas músicas do novo Smashing Pumpkins não é possível estabelecer em qualquer momento um ponto de conexão com o trabalho do antigo Smashing Pumpkins. Perdeu-se as influências e as características marcantes de um dos maiores grupos do rock alternativo americano. Hoje uma nova música do que é declarado como Smashing Pumpkins, trata-se apenas de uma extensão da carreira solo de Billy Corgan. Mas, e o show? Eu gostei do show. Definitivamente o mais pesado, mais bem executado tecnicamente e curioso de todo o festival. Mas uma coisa é fato, eu e uma grande parcela dos fãs não aprovamos o set list definido por Corgan. Foram 12 anos de espera (desde o show realizado em 98 durante a turnê de Adore) e o Billy Corgan se deu apenas ao trabalho de cortar algumas músicas (ótimas músicas) do repertório apresentado na Argentina, dias antes. Eu como espectador e fã trocaria os 20 minutos de muito improviso de “United States” por 4 músicas de 5 minutos como “1979” ou “Disarm”. Mas o Billy Corgan gosta de ser imprevisível. Mesmo com um repertório repleto de hits mundialmente conhecidos, Corgan prefere apresentar as canções da nova fase da banda (que não empolgaram quase ninguém) além de estender a execução de clássicos com improvisos instrumentais desnecessários. Quanto a sua conhecida apatia e frieza no palco uma surpresa, Corgan se comunica, sorri e brinca ao se apresentar e declarar os nomes dos novos músicos do Smashing Pumpkins (um grupo de clones mais novos do que já foi a formação original dos Pumpkins). De alguma forma Corgan engana-se com a idéia de quem aquele tempo mágico ainda persiste. Poderia ter sido o show da vida de muitos fãs, mas o Sr. Billy Corgan optou por fazer algo mediano e burocrático.

E finalmente chegamos ao último show do Festival Planeta Terra, com o Sr. Billy Corgan e o projeto que ele insiste em chamar de Smashing Pumpkins. Se você friamente avaliar as novas músicas do novo Smashing Pumpkins não é possível estabelecer em qualquer momento um ponto de conexão com o trabalho do antigo Smashing Pumpkins. Perdeu-se as influências e as características marcantes de um dos maiores grupos do rock alternativo americano. Hoje uma nova música do que é declarado como Smashing Pumpkins, trata-se apenas de uma extensão da carreira solo de Billy Corgan. Mas, e o show? Eu gostei do show. Definitivamente o mais pesado, mais bem executado tecnicamente e curioso de todo o festival. Mas uma coisa é fato, eu e uma grande parcela dos fãs não aprovamos o set list definido por Corgan. Foram 12 anos de espera (desde o show realizado em 98 durante a turnê de Adore) e o Billy Corgan se deu apenas ao trabalho de cortar algumas músicas (ótimas músicas) do repertório apresentado na Argentina, dias antes. Eu como espectador e fã trocaria os 20 minutos de muito improviso de “United States” por 4 músicas de 5 minutos como “1979” ou “Disarm”. Mas o Billy Corgan gosta de ser imprevisível. Mesmo com um repertório repleto de hits mundialmente conhecidos, Corgan prefere apresentar as canções da nova fase da banda (que não empolgaram quase ninguém) além de estender a execução de clássicos com improvisos instrumentais desnecessários. Quanto a sua conhecida apatia e frieza no palco uma surpresa, Corgan se comunica, sorri e brinca ao se apresentar e declarar os nomes dos novos músicos do Smashing Pumpkins (um grupo de clones mais novos do que já foi a formação original dos Pumpkins). De alguma forma Corgan engana-se com a idéia de quem aquele tempo mágico ainda persiste. Poderia ter sido o show da vida de muitos fãs, mas o Sr. Billy Corgan optou por fazer algo mediano e burocrático.

Pavement Concert at Playcenter, São Paulo, Brazil.

November 20, 2010.

 

Gold Soundz

Grounded

Perfume-V

Stereo

Date With IKEA

Unfair

Shady Lane

Starlings of the Slipstream

Kennel District

Conduit for Sale!

Rattled by the Rush

Heckler Spray

In the Mouth a Desert

Summer Babe

Cut Your Hair

Stop Breathin

Spit on a Stranger

Silence Kit

Box Elder

Range Life

Two States

Here

O Pavement é um caso complicado. Os fãs são insanos em relação a qualquer crítica negativa que envolva a banda, mas a própria postura “não me importo” dos músicos são ingredientes para uma guerra sem fim. De tão absurda que é; a postura da banda foi um dos personagens principais logo no início do show. Ao entrar e se posicionar com os instrumentos no palco o Pavement foi ignorado pela produção do Planeta Terra, que não percebeu que se tratava da banda no palco para dar início ao espetáculo de luzes e som. A produção do festival teve a mesma impressão de muitos fãs do Pavement presentes; acreditou que no palco encontrava-se apenas um grupo de técnicos e roadies. O visual simplista (roupa de domingo) combinou com a escolha do repertório e a presença pálida da banda no palco. Mesmo em momentos de grandes sucessos o público escasso se esforçava para empolgar. Uma apresentação fraca, sonífera. E para que eu não seja um alvo dos fanáticos pelo Pavement, assumo que nunca fui muito fã da banda. Nunca consegui ouvir um álbum até o fim. Acho que essa pretensão em ser o mais sarcástico e desprendido me irrita. Eu gosto de grandes espetáculos. Stephen Malkmus que me perdoe, mas o Pavement é sofrível.

O Pavement é um caso complicado. Os fãs são insanos em relação a qualquer crítica negativa que envolva a banda, mas a própria postura “não me importo” dos músicos são ingredientes para uma guerra sem fim. De tão absurda que é; a postura da banda foi um dos personagens principais logo no início do show. Ao entrar e se posicionar com os instrumentos no palco o Pavement foi ignorado pela produção do Planeta Terra, que não percebeu que se tratava da banda no palco para dar início ao espetáculo de luzes e som. A produção do festival teve a mesma impressão de muitos fãs do Pavement presentes; acreditou que no palco encontrava-se apenas um grupo de técnicos e roadies. O visual simplista (roupa de domingo) combinou com a escolha do repertório e a presença pálida da banda no palco. Mesmo em momentos de grandes sucessos o público escasso se esforçava para empolgar. Uma apresentação fraca, sonífera. E para que eu não seja um alvo dos fanáticos pelo Pavement, assumo que nunca fui muito fã da banda. Nunca consegui ouvir um álbum até o fim. Acho que essa pretensão em ser o mais sarcástico e desprendido me irrita. Eu gosto de grandes espetáculos. Stephen Malkmus que me perdoe, mas o Pavement é sofrível.